MILHO TRANSGENICO NÃO RESISTE A SECA

Textos abaixo publicados no Blog do Valdir Izidoro Silveira e no Sina*

*MILHO TRANSGENICO NÃO RESISTE A SECA 
<http://valdirizidorosilveira.blogspot.com.br/2012/08/milho-transgenico-nao-resiste-seca.html>- 
Valdir Izidoro Silveira*

Toda a cadeia produtiva está sendo fragilizada pela quebra da produção 
do milho nos EUA. Primeiramente vamos fazer uma pequena digressão sobre 
as perdas do milho causada pela “seca”. É preciso que todos saibam que 
essa quebra do milho não resistente a quaisquer variações de altas 
temperaturas é uma característica do milho transgênico que tras na sua 
bagagem genética um princípio ativo semelhante aos dessecantes muito 
usados na década de setenta na cultura da batata. A resistência ao 
glifosato, veneno poderoso que circula na seiva do milho transgênico, 
faz com que a planta fique menos resistente a seca; coisa que não 
acontece com as espécies convencionais.

A Basf, a Syngenta e a Monsanto não falam sobre isso; escondem do 
produtor. Por que¿ Porque essas multinacionais sempre ganham, sejam 
quais forem as situações. Vendem seu “pacote tecnológico”(¿) veneno e 
semente; controlam toda a cadeia de comercialização de grãos através dos 
seus parceiros de negócios Bunge, Cargill, Dreifus e outras 
/treidinguis/ que, por incompetência e ou outras razões inconfessas, 
lhes entregam a preços módicos toda a produção de milho e soja. Não 
conseguimos entender, ainda, porquê o sistema cooperativista do sul do 
país age assim!

Tem a força da produção nas mãos e estão reféns dos grandes ” gigantes” 
e comerciantes dos grãos. Quando ocorrem fenômenos climáticos adversos, 
como agora acontece com o milho, eles jogam como querem, dão as cartas a 
seu bel prazer porque tem nas mãos a grande maioria dos estoques. Ai o 
preço vai às nuvens e a cadeira produtiva da avicultura e suinocultura 
sofre amargamente. Isso lhes beneficia porque o milho e a soja são 
exportados para a matriz — EUA-, que terá a sua disposição as matérias 
primas necessárias para os setores avícolas, bovinos e suínos, a preços 
compatíveis com seus custos, Aos aliados beócios do agronegócio 
multinacional ficam as perdas, o fechamento de abatedouros, o desemprego 
e o desespero dos agricultores integrados. As lideranças da agropecuária 
estão na linha do dito popular: ” cego é aquele que não quer ver”! Ou 
será que estão sendo pagos para não ver!

* * * * *

*A publicidade por trás da semente tolerante à seca* 
<http://www.revistasina.com.br/portal/meio-ambiente/item/4496-a-publicidade-por-tr%C3%A1s-da-semente-tolerante-%C3%A0-seca>

*AS-PTA/Com informações da USDA Greenlights Monsanto’s Utterly Useless 
New GMO Corn 
<http://motherjones.com/tom-philpott/2012/01/monsanto-gmo-drought-tolerant-corn>*

No final de dezembro de 2011 o Departamento de Agricultura do governo 
dos EUA (USDA, na sigla em inglês) autorizou o plantio comercial de uma 
variedade de milho da Monsanto geneticamente modificada para suportar 
condições de seca.

O fato é de grande importância: trata-se da primeira autorização para 
uma variedade transgênica teoricamente envolvendo uma característica 
complexa. Ao contrário das plantas transgênicas já cultivadas, em que a 
inserção de um gene foi responsável pela expressão de uma característica 
(para citar o que há de fato no mercado: tolerância a herbicida e/ou 
produção de uma toxina inseticida), a tolerância à seca depende de um 
complicado processo envolvendo vários genes. E, na verdade, controlar 
processos complexos assim é algo que muitos cientistas consideram ainda 
estar longe do alcance dos biotecnólogos.

Com efeito, tudo indica que o tal milho da Monsanto não funciona mesmo. 
A Avaliação Ambiental Final do USDA 
<http://boletimtransgenicos.campanhasdemkt.net/registra_clique.php?id=H%7C364509%7C93443%7C10216&url=http%3A%2F%2Fwww.aphis.usda.gov%2Fbrs%2Faphisdocs%2F09_05501p_fea.pdf>sobre 
o milho MON 87460, publicada em novembro de 2011, afirma que “é prudente 
reconhecer que a redução de perda de produtividade da variedade MON 
87360 não excede a variação natural observada em variedades 
regionalmente adaptadas de milho convencional (Monsanto, 2010). Assim, 
variedades de milho igualmente resistentes à seca produzidas através de 
técnicas convencionais de melhoramento genético estão prontamente 
disponíveis e podem ser cultivadas no lugar da variedade MON 87460.” (p.33)

Ou seja, nas áreas do cinturão do milho dos EUA em que a deficiência 
hídrica ocorre, os melhoristas convencionais já desenvolveram variedades 
que toleram a falta de água tão bem quanto a variedade transgênica da 
Monsanto (observe-se que, em ambos os casos, trata-se de moderada falta 
de água).

A autorização para a comercialização da variedade modificada tão 
tolerante à seca quanto as similares convencionais que já existem 
poderia parecer inócua se não fosse um pequeno detalhe: a empresa detém 
o quase monopólio do mercado de sementes. Desse modo, na prática, a 
introdução da nova semente transgênica levará, invariavelmente, a duas 
situações: em primeiro lugar, as variedades convencionais tolerantes à 
seca já disponíveis, e que não são patenteadas e nem implicam no 
pagamento de royalties, logo não estarão mais tão acessíveis. Assim como 
tem acontecido não só nos EUA, mas em todos os países onde a empresa 
conseguiu impor sua tecnologia, as variedades convencionais vão sumindo 
do mercado, sendo ofertadas em seu lugar apenas as transgênicas — muito 
mais caras e com restrições de uso impostas pelas patentes. Em algumas 
regiões do próprio cinturão do milho americano os agricultores relatam 
que não conseguem comprar sementes de milho que não sejam Bt, ou seja, 
geneticamente modificadas para matar lagartas.

A segunda implicação da nova autorização é uma sutil derivação dessa 
primeira, relacionada à estratégia de marketing e relações públicas da 
empresa: à medida que a oferta de sementes tolerantes à seca se reduza à 
nova opção transgênica e, consequentemente, sua adoção se generalize, a 
Monsanto começará a anunciar o “sucesso” de sua tecnologia”: se não 
conferissem vantagens, os produtores não as adotariam maciçamente. Omite 
que a adoção maciça é decorrente justamente da falta de opções no mercado.

Essa situação também ajudará a Monsanto a rebater a crítica de que, 
passados quase vinte anos desde que as sementes transgênicas começaram a 
ser cultivadas, a chamada “engenharia genética” conseguiu consolidar 
apenas duas características agronômicas: a tolerância à aplicação de 
herbicidas, que beneficia basicamente as empresas de sementes e 
agrotóxicos e já começa a deixar de funcionar (há cada vez mais 
registros de espécies de mato capazes de driblar a tecnologia), e a 
produção, pelas lavouras, de toxinas inseticidas, cuja eficácia é 
passageira e altamente questionada (comumente a redução no uso de 
inseticidas acaba sendo negativamente compensada por outros problemas 
que começam a surgir). As famosas plantas transgênicas mais produtivas, 
mais nutritivas e, sobretudo, tolerantes aos solos salinos e à seca até 
hoje nunca saíram do discurso.

Bem…como acabamos de ver, estão começando a sair. E, funcionando ou 
não, a nova variedade, logo que adotada em alguma escala, permitirá à 
Monsanto alardear os supostos benefícios da biotecnologia para a 
produção de alimentos, ou, mais ainda, para a humanidade em tempos de 
mudanças climáticas.

Na nota publicada 
<http://www.aphis.usda.gov/newsroom/2011/12/brs_actions.shtml>pelo USDA 
em 21 de dezembro em que são divulgadas notícias relacionadas à 
regulamentação de produtos biotecnológicos consta também que o órgão deu 
início ao processo de autorização para o milho transgênico da Dow 
tolerante ao herbicida 2,4-D, ingrediente do famoso agente laranja, 
utilizado durante a Guerra do Vietnã para desfolhar florestas e cujas 
dioxinas provocaram milhares de mortes e o nascimento de mais de 500 mil 
crianças com sérias malformações.

No Brasil a CTNBio já autorizou <http://pratoslimpos.org.br/?p=153>, em 
junho de 2009, o plantio experimental da “soja laranja”, também da Dow e 
também tolerante ao 2,4-D.

Por: Ademir de Lucas

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